Membro Honorário da Ordem de Benemerência / Medalha de Mérito Desportivo / Medalha de Bons Serviços Desportivos

Medalha de Cultura Física da Câmara Municipal de Lisboa / Medalha de Prata da Fed. Port. Colect. Cultura e Recreio / Troféu Olímpico 1996

História

Com forte espírito gregário e elevada moral dá-se origem oficial ao Casa Pia Atlético Clube Ateneu-Casapiano, a Associação Pós-Escolar da Casa Pia de Lisboa, em 3 de Julho de 1920


     
Cândido de Oliveira Ricardo Ornelas Mário da Silva Marques António Pinho David Ferreira
     

Em 14 de Junho de 1920, um grupo de Jovens ex-alunos reuniu-se na sala de sessões da Associação de Classe do Pessoal Superior dos Correios e Telégrafos na Rua Eugénio dos Santos, 159 – 2º andar, para fundar um clube desportivo, resolvendo denominá-lo - CASA PIA ATLÉTICO CLUBE - pelo mesmo ser constituído unicamente por ex-alunos da Casa Pia de Lisboa. Dos 18 elementos que subscreveram o documento de Fundação, destacam-se as assinaturas dos ilustres Jornalistas, Cândido de Oliveira e Ricardo Ornelas, de Mário da Silva Marques, que haveria de ser o primeiro nadador Olímpico Português nos jogos de Paris em 1924, António Pinho que fez parte da 1ª Selecção Nacional de Futebol (12 vezes internacional), e do Escritor e Historiador David Ferreira, pai do também Escritor e Poeta David Mourão Ferreira. Para Presidente escolheram Alfredo Soares, antigo aluno, Professor e mais tarde Director da Casa Pia de Lisboa (1922) e 1º Presidente da Liga Portuguesa de Natação (1921).

Por tradição, e devido ao facto de os casapianos terem contribuído de forma activa e decisiva na sua implantação em Portugal, o Futebol, é a principal modalidade do Ateneu.


 
Fotografia do lado esquerdo: Grupo de Futebol da Casa Pia de Lisboa em 1898 que bateu os Ingleses de Carcavelos. Da esquerda para a direita - De pé: João Cambraia, António de Couto, Emílio de Carvalho, Raúl Carapinha, Silvestre da Silva, Dr. Januário Barreto, José Neto, Francisco dos Santos; Sentados: João Pedro, Pedro Guedes (Capitão) e Bruno do Carmo

Logo no ano da Fundação, 1920-21, o Casa Pia venceu sem derrotas os principais campeonatos; Distrital de Lisboa e Taça Associação, um feito nunca igualado pelos três "grandes" de Lisboa, Benfica, Sporting e Belenenses.

Neste mesmo ano, vence também o campeão do Norte, o Futebol Clube do Porto por 2-0, conquistando a ''Taça 27 de Julho''. Este jogo no entender do jornalista Ricardo Ornelas «poderia corresponder a uma final do Campeonato de Portugal começado na época seguinte...» No Porto os "Gansos" continuavam a exibir o seu bom futebol, cativando assistências, disputando um segundo jogo com o Leixões que foi também derrotado por 2-0.

Aos 17 meses de vida o Casa Pia tinha já efectuado três torneios no estrangeiro – Paris, S. Sebastian e Sevilha.

A equipa casapiana foi a primeira equipa Portuguesa a jogar em Paris, actuando no Estádio Pershing, no Torneio Internacional daquela cidade, que depois dos Inter-Aliados era a prova mais relevante que se realizava em França. O jogo de estreia foi efectuado no dia de Natal de 1920, frente ao campeão de França, Cercle Athletic de Paris que venceu por 2-1, sendo o golo casapiano marcado pelo capitão Cândido de Oliveira.

O Casa Pia foi também a primeira equipa do Continente a deslocar-se aos Açores. Fê-lo de forma graciosa, tendo o convite partido do Fayal Sport Clube, para a disputa de 3 jogos a favor das vítimas do sismo ocorrido em 1922 naquele arquipélago. Na história de outro clube do Fayal, o Angústias Atlético Clube, pode ler-se: "Esta presença foi benéfica porque lançou a semente", o "rastilho" para novos empreendimentos; o nascimento do Angústias Atlético Clube, no seio da populosa e laboriosa freguesia de Angústias, de características acentuadamente populares.

Em 13 de Outubro de 1921, o Casa Pia (a convite) inaugurou o Campo de Sevilha, F.C., tendo perdido por 3-0 no primeiro jogo e 4-0 no segundo, com os Jornais espanhóis Liberal, La Union e Futbol de Barcelona, a tecerem bonitos comentários à exibição Portuguesa.

Em 13 de Novembro de 1921, o Casa Pia inaugurou o campo do Vitória F.C. (Setúbal).

O Casa Pia, de 1920 a 1924 apresentou como recinto oficial de jogos o Campo das Laranjeiras. Em 21 de Dezembro de 1924, com a presença do Presidente da Republica, Manuel Teixeira Gomes inaugura o Campo do Restelo, primeiro parque de jogos do Casa Pia Atlético Clube, sito na Cerca do Restelo, onde hoje está o Bairro com o mesmo nome. Foi a primeira grande obra do voluntariado e solidariedade dos "Gansos", projectado pelo Arqº Casapiano António do Couto, que, recorde-se, foi o Arqº da Estátua do Marquês de Pombal, primeiro capitão do Sport Lisboa (mais tarde Sport Lisboa e Benfica), sócio nº 1 do Sporting Clube de Portugal e Vice-Presidente do Casa Pia nas direcções presididas por Cosme Damião, de 1936 a 1938. Em 1917 António do Couto havia sido também o autor do projecto do Estádio do Campo Grande. O "Restelo" de tanta saudade, foi totalmente pago pela generosidade dos casapianos, e custou à época 250 mil escudos. Foi inaugurado com dois jogos entre Casa Pia e Belenenses (Iniciados e Séniores), as duas equipas de Belém.

O Casa Pia em 1940 perdeu o seu "arsenal" em holocausto à "Exposição do Mundo Português". O "Estado Novo" expropriou o terreno, obrigando o Casa Pia a uma "via-crucis" durante 14 anos de "chapéu na mão" pelos campos das Salésias (treinos), FNAT, em Belém, Cascalheira, em Campolide, Santo Amaro, e Estrela da Amadora. Até 29 de Agosto de 1954, dia em que, em Monsanto, bem longe da Casa Mãe, a Casa Pia de Lisboa, inaugura o belo Estádio Pina Manique, a nossa maior obra colectiva e de solidariedade dos casapianos, dirigida por Luis Costa Gomes, Raul de Azevedo, Gomes Marques e pelo Arqº Cândido Palma de Melo, responsável pelo projecto de construção.

Em 6 de Dezembro de 1925, perante 15 mil espectadores, o Casa Pia inaugurou o Estádio das Amoreiras, propriedade do S.L. Benfica, considerado à época o melhor Estádio da Península, vencendo o Benfica por 3-1.

Em 1938/39, o Casa Pia participou conjuntamente com as equipas do F.C.Porto, Académico, Barreirense, Benfica, Sporting, Belenense e Académica no I Campeonato Nacional de Futebol.

Em 1964/1965 sobe à II Divisão Nacional, após 32 jogos consecutivos sem perder, tendo, a convite, feito uma digressão pelos Estados Unidos da América, onde teve a honra de ser recebido pelo Senado deste País.